domingo, 30 de março de 2008

ARQUÉTIPOS (AMBAS AS MATÉRIAS)

ARQUÉTIPOS
[Do gr. archétypon, "modelo", "padrão".] Termo proposto em 1919 por Carl G. Jung, psicólogo e psicanalista suíço (1875-1961), para designar o conjunto de imagens psíquicas do inconsciente coletivo que são patrimônio comum de toda a humanidade: "São sistemas de prontidão para a ação e, ao mesmo tempo, imagens e emoções. São herdados junto com a estrutura cerebral - constituem de fato o seu aspecto psíquico. Por um lado, representam um poderoso conservadorismo instintivo e são, por outro lado, os meios mais eficazes que se pode imaginar de adaptação instintiva." (Mind and Earth, The Collected Works, vol.10, 53). O conceito de arquétipo é, contudo, já localizável em Platão, no seu tratamento das idéias formais ou arquétipos (o Bem, o Belo, a Bondade, a Verdade, etc.). O conceito entrou na literatura através dos trabalhos de antropologia cultural de James G. Frazer e dos trabalhos de psicologia de Carl G. Jung. Maud Bodkin contribuiu também para a afirmação do termo na crítica literária com Archetypal Patterns in Poetry: Psychological Studies of Imagination (1934).
A literatura ocidental, em particular, tem conhecido arquétipos exaustivamente tratados em temas religiosos, mitológicos, lendários ou fantásticos: "O conteúdo arquetípico exprime-se, em primeiro lugar, e sobretudo, na forma de metáforas. Se tal conteúdo fala do sol e o identifica com o leão, o rei, o tesouro de ouro guardado por um dragão, ou a força responsável pela vida ou pela saúde de um homem, ele, entretanto, não é nem uma coisa nem outra, mas o terceiro desconhecido, que encontra uma expressão mais ou menos adequada em todos estes símiles e que, mesmo assim, permanece desconhecido (...) e não se encaixa em nenhuma fórmula." (The Psychology of the Child Archetype, The Collected Works, vol.9i, 267). Jung distingue ainda como principais arquétipos a sombra, o velho sábio, a criança e o herói-criança, a mãe ("Mãe Primordial"/"Mãe Terra"), a virgem, a anima (o feminino do homem) e o animus (o masculino da mulher). Estes e outros arquétipos (imagens primordiais como o paraíso perdido, os irmãos inimigos, o círculo, a rosa, a serpente, etc., ou stock characters como o Don Juan, a femme fatale, o herói e o anti-herói, o mágico e o alquimista, o idiota, etc.), permanecem sempre intactos e inalteráveis qualquer que seja o tratamento literário que sofram.



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